Esta pesquisa visa mostrar uma relação próxima e, ao mesmo tempo, ambígua de Jacques Lacan com a fenomenologia. Num primeiro momento, buscaremos expor como o psicanalista compreende a fenomenologia enquanto uma filosofia da consciência. Seus alvos principais de crítica são Husserl, Sartre e Merleau-Ponty. Buscamos, afinal, avaliar se a fenomenologia foi “superada” pela psicanálise; e, se for o caso, avaliar quais ganhos poderíamos ter na filosofia a partir da perspectiva lacaniana. Nossa pretensão é mostrar como o diálogo entre a fenomenologia e a psicanálise, especialmente a psicanálise lacaniana, não se limita ao campo da clínica – este debate parece ser atualmente revisitado por diversos pensadores no campo da filosofia. Não se trata, assim, apenas de “revisitar” um diálogo, mas de apontar sua atualidade e os impasses que ele nos legou.