Ao se considerar as produções culturais alocadas em um museu como materialidades linguístico-discursivas da ordem do artístico, neste livro, tematiza-se a reprodutibilidade da obra de arte e sobretudo, de seu ambiente material de exposição, o museu, através de procedimentos técnicos, tecnológicos (como a fotografia, a digitalização e a recodificação) e da tecnologia da governamentalidade, para focalizar as mudanças nas relações de saber-poder entremeadas entre sujeito espectador, obra de arte e instituição cultural, uma vez que o espaço do museu, nesse caso, pode ser apreendido como um sítio de significações que acampa para além da ordem do artístico. Em vista disso, lança a seguinte problematização: diante dessa modificação material, o museu virtual constitui-se em um espaço heterotópico outro que especifica e diferencia um enunciado de outro, no que se refere ao status discursivo ao qual pertencem os enunciados que constituem os regimes de visibilidade do artístico em circulação no espaço virtual? Tal encaminhamento consolida o desafio de ler diferentes materialidades significantes ou, mais precisamente, de ler discursivamente, na urdidura heterotópica do artístico, as tramas vetoriais do político entretecido nas demandas do social, com o objetivo de compreender o modo como se constituem as modalidades enunciativas dessas arquiteturas hipermidiáticas. Nesse empreendimento, ao vislumbrar a relação amalgamada entre a linguagem, a arte, a cultura e o político, confirmou-se a tese de que, ao passar pelos processos sociotécnicosemióticos que permitem sua (re)materialização no espaço virtual, a materialidade da arte e de seu espaço de visitação passam a vigorar em outra ordem discursiva, não só na da instituição museológica, mas também na da política de acessibilidade cultural.