Em 1980, o teatro Dona Maria II, em Lisboa, faz uma encomenda à dramaturga açoriana, assim como a outros escritores; o objeto encomendado tratava-se de uma peça teatral trazendo como personagem central a figura de Luís Vaz de Camões. Tais obras seriam encenadas durante as comemorações do Quarto Centenário da Morte de Camões, em 1980.
A peça de Natália Correia, Erros meus, má fortuna, amor ardente (1981), não foi encenada durante o evento, em 1980; dentre os motivos, o mais evidente aponta para as divergências políticas entre a escritora e os responsáveis pelas atividades e pelo financiamento do evento. A peça publicada no ano seguinte recebe uma edição luxuosa, para compensar o inconveniente. A suntuosidade da obra remete ao luxuoso esplendor dos ambientes palacianos do contexto quinhentista.
Uma combinação de marcas estruturais, temáticas e de pessoalidade torna possível estudar o teatro de Natália Correia com suas particularidades, apresentando um material valioso para compreender o contexto e o pensamento lusitano do século XX. Na visão da escritora, mulher, feminista e subversiva, reencontrar os mitos, refletir a história, repensar e questionar o que a tradição e a memória registraram no decorrer do tempo é uma incumbência que a escrita tem e deve exercer efetivamente.