Em uma sociedade em que nossas vidas são constantemente geridas e reduzidas a números e algoritmos, a poesia surge potente como sinal de uma humanidade (quase) esquecida. Não a humanidade que se arroga superior a tudo e todos, mas a outra, que compreende por experiência que a vida não se resume à racionalidade e ao lucro.
Este livro é um dos mais belos lembretes de que a fruição, a sensibilidade e o corpo que surgem na voz e na linguagem durante a poesia ao mesmo tempo nos devolve à nossa terra-mãe e nos expande em todas as direções do cosmos. Ele nos ensina que mesmo no fim do mundo é possível ver beleza, encontrar significados e lançar palavras que fazem brotar as bases de mundos mais despertos, presentes e humanos (no bom sentido).
Anne da Rocha